Muito antes de Santos se consolidar como polo portuário e urbano, a presença das ordens religiosas já marcava o território com construções que atravessaram séculos
Atualizada em 22.06.2026
Espalhadas pelo Centro Histórico e áreas elevadas da cidade, igrejas erguidas entre os séculos XVI e XVIII preservam estilos arquitetônicos coloniais, práticas de devoção e capítulos fundamentais da história santista.
Além do valor religioso, esses templos se tornaram referências arquitetônicas e culturais, revelando diferentes momentos da ocupação da cidade, da atuação das ordens religiosas e da organização social do período colonial. A seguir, confira as cinco igrejas históricas mais antigas de Santos
Conjunto do Carmo – Igreja dos Freis Carmelitas (1589)
Um dos mais antigos conjuntos religiosos de Santos, o Conjunto do Carmo começou a ser erguido em 1589 com a chegada dos freis carmelitas. O complexo reúne a Igreja dos Freis Carmelitas, do século XVI, e a Igreja da Venerável Ordem Terceira do Carmo, concluída no século XVIII. A primeira reflete o estilo colonial português com toques barrocos; a segunda se destaca pela riqueza decorativa rococó em seus altares e talhas.
O conjunto foi tombado como patrimônio nacional e municipal, e guarda também o Panteão dos Andradas, onde repousam os restos mortais de José Bonifácio de Andrada e Silva.
O Conjunto do Carmo – Igreja dos Freis Carmelitas está localizada na Praça Barão do Rio Branco, 16, no Centro Histórico de Santos
Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat (1599)
No ponto mais alto da cidade, o santuário dedicado à padroeira de Santos remonta a 1599, quando uma pequena ermida foi construída ali. O templo cresceu ao longo do tempo, adaptando-se ao relevo íngreme, e tornou-se um dos principais símbolos de devoção da população, com arquitetura colonial simples e forte presença nas romarias até hoje.
O Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat está localizado no Caminho Monsenhor Moreira, 33, no Morro do Monte Serrat, em Santos
Santuário de Santo Antônio do Valongo (1640)
Erguido a partir de 1640, o santuário está no coração do bairro do Valongo, ligado à história portuária e comercial da cidade. Com traços do barroco colonial em sua estrutura e interior, o local manteve ao longo dos séculos a devoção a Santo Antônio, atraindo fiéis e caminhadores pelo contexto histórico em que se integra.
O Santuário de Santo Antônio do Valongo está localizado no Largo Marquês de Monte Alegre, 13, no Valongo, em Santos
Igreja da Venerável Ordem Terceira do Carmo (1752)
Integrando o mesmo conjunto do Carmo, essa igreja, inaugurada em 1752, representa a atuação leiga na vida religiosa colonial e se distingue pela decoração rococó, altares em madeira folheados a ouro e obras do pintor e frei Jesuíno do Monte Carmelo.
A Igreja da Venerável Ordem Terceira do Carmo está localizada na Praça Barão do Rio Branco, 16 – Centro Histórico de Santos
Igreja de Nossa Senhora do Rosário (início em 1756)
Com origem em uma capela erguida a partir de 1756 pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a igreja é um símbolo da devoção e da presença negra no período colonial. Sua fachada e interior, em estilo barroco, refletem o tempo prolongado de construção e adaptação, tendo sido por décadas um dos principais templos da cidade antes da inauguração da atual catedral.
A igreja de Nossa Senhora do Rosário está localizada na Praça Rui Barbosa, s/n – Centro Histórico de Santos
Tombadas como patrimônio histórico, essas igrejas seguem preservadas como testemunhos vivos da formação de Santos. Mais do que espaços de fé, elas guardam memórias arquitetônicas, artísticas e sociais que ajudam a compreender a identidade da cidade e reforçam a importância da preservação do Centro Histórico.
Fotos: Arquivo/PMS