Entenda de vez porque São Vicente é a primeira vila do Brasil

Você já ouviu, certamente, que São Vicente é a primeira cidade do Brasil, e possivelmente já soube também que outras cidades disputam ferrenhamente o provinciano título, como Porto Seguro e Cananeia. Então, vem entender esse imbróglio de uma vez por todas (desculpem pelo termo italiano em território lusitano).

Aliás, antes do resumão histórico, vale falar que estamos às vésperas da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente, o maior espetáculo em areia de praia do mundo (até aparecer um município pleiteando o título também). O espetáculo já teve épocas áureas, em que trazia atores Globais, para representarem Martim Afonso, Ana Pimentel, Tibiriçá e a turminha do barulho do Brasil de 1532 (que, aliás, era ‘fichinha’ perto da turminha do barulho do Brasil dos anos dois mil). Esse ano, mais de 600 pessoas da comunidade atuam na Encenação, que traz alguns rostos conhecidinhos no elenco principal.

O espetáculo é lindo e, em 2020, acontece de 18 a 22 de janeiro, na Praia do Gonzaguinha, com ingresso social (tem uma matéria contando tudo aqui). Mas vamos aos fatos, assim, de maneira sucinta:

Cena 1

Em 1500, os navegadores portugueses chegaram ao Brasil, sob o comando do gajo Cabral, na região do Sul da Bahia, ali pelas terras de Porto Seguro (Nhoesembé), Santa Cruz Cabrália e Prado (o ponto exato ainda é de interrogação até para os pesquisadores). Isso, três meses após o Brasil ser descoberto, em Pernambuco, pelos espanhóis, na expedição do navegador Vicente Yáñes Pinzón. Lembra que, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, as terras brazucas eram dos portugas, né? Então, espanhóis saltaram fora.

Mas, apesar de terem pisado em terras baianas antes de chegarem às areias vicentinas, os portugueses não deram muita bola pro acarajé e só fundaram um vilarejo na região, que deu origem ao município de Porto Seguro, em 1535, quando o comércio com as Índias Orientais enfraqueceu.

Cena 2

Em 1502, a expedição de Gaspar de Lemos chegou por aqui e batizou a região com o nome de São Vicente, em homenagem a um dos padroeiros e mártires de Portugal, Vicente de Saragoça. Pelos índios tupiniquins (lembram deles?), a terra era conhecida como Ilha de Gohayó – que, dentre algumas interpretações, pode ser algo como ‘terra de boa acolhida’, mas eles não sabiam de nada, não é?.

O fato é que os portugas não deram muito ibope para a terra brasilis até 1530, quando o Rei Dom João III resolveu tomar posse do que lhe pertencia (os negócios com as Índias já não iam tão bem – as Índias Orientais, é bom frisar). Então, mandou o brother de infância, o fidalgo Martim Afonso de Souza, arrumar as trouxinhas e partir para a América (para azar das índias daqui, que, na verdade, eram indígenas).

O gajo se atrapalhou um pouco nos preparativos para a partida e só acabou chegando aqui em janeiro de 1532 (deve ter visto a queima de fogos de Copacabana em alto-mar, sem saber que ela viria a ser a maior do Brasil – até Santos resolver brigar pelo título).

Martim instalou, então, em suas terras, alguns símbolos do poder organizado: um pelourinho, uma igreja e uma câmara. Estava fundada oficialmente a primeira vila do Brasil, a Vila de São Vicente (essa parte na Encenação é emocionante – tomara que o sertanejo Rodolfo, da Maria Cecília, não estrague tudo esse ano. Dói só de pensar). São Vicente tinha, então, o que Porto Seguro só veio a ter três anos depois: uma região administrativa, organizada e com atividades econômicas, como a cana-de-açúcar, a agricultura e a pecuária (Não, não tinha bois por aqui, eles vieram de Cabo Verde pra ajudar com a cultura da cana).

Em 22 de agosto de 1532 foram realizadas as primeiras eleições das Américas na Câmara da Vila de São Vicente. E, desde lá, as safadezas não pararam mais.

Cena 3 (último ato)

O Padre José de Anchieta foi enviado pra cá para ‘catequizar’ (você pode substituir por domesticar, se quiser) os índios e garantir a harmonia do povoado. Afinal, povos oprimidos costumam se rebelar, era mais prudente apresentar Deus pra essa raça. As aulas de catecismo aconteciam na Bica da Fonte do Povoado, a nossa bucólica Biquinha. Hoje, os indígenas não estão mais lá, mas tem quindim, doces portugueses e tempurá.

E o resto você já sabe…

* A ilustração do topo é uma pintura de Benedicto Calixto 

Diego Brígido

Editor da Revista Nove | Guia Comer & Beber

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