Zé Corneteiro: dos contos de fada direto para o Centro Histórico de Santos

Fotos: Christian Jauch

"Soldadinho, soldadinho, cadê você?"

Este é o coro entoado pela criançada ao entrar na Casa do Trem Bélico, no Centro Histórico de Santos. Elas estão à procura do divertido Zé Corneteiro, personagem criado pelo monitor do Museu, Miguel Escandon, para atrair público ao equipamento e resgatar o respeito e o orgulho à Pátria.

O que as crianças não sabem é que o Zé Corneteiro não é um simples soldadinho, ele tem patente, é um Alferes, figura que desapareceu do escopo do Exército em 1700 e que era responsável por convocar e dar comando aos soldados usando uma corneta.

Na Casa do Trem Bélico, o papel do corneteiro é chamar a atenção dos passageiros do bondinho turístico que passa na esquina da Rua Tiro 11. Ao se aproximar da rua, o motorneiro emite um sinal sonoro no bonde e, então, o soldadinho sabe que tem alguns minutos para sua performance à porta do Museu. Chapéus bem curiosos, cavalinho de cabo de vassoura, guarda-chuva imitando espingarda e adereços confeccionados com materiais reaproveitados compõem o figurino do herói. ‘O Zé Corneteiro é um soldado que anuncia a existência de um lugar ainda desconhecido pela maioria das pessoas’, revela Escandon.

O personagem desperta a curiosidade dos passageiros – adultos e crianças – embarcados nos bondes turísticos que fazem o trajeto pelo Centro Histórico de Santos. Ao assistirem a encenação, de longe, acabam descendo do bondinho – mesmo a contragosto do motorneiro – para conhecer aquela figura engraçada e aproveitam para visitar a Casa do Trem Bélico. Durante a visita, o Zé Corneteiro interage com as pessoas, envolvendo-as em suas brincadeiras, enquanto conta a história dos materias bélicos expostos no Museu.

A ideia do personagem surgiu para que se conseguisse, por meio do lúdico, chamar a atenção das pessoas para este equipamento tão rico em história e tão pouco conhecido pelos santistas e visitantes. Escandon diz que o Zé Corneteiro ainda está em construção e que não há limites para ele. ‘Se você passar de bonde duas vezes no mesmo dia pela esquina do Museu, assistirá performances diferentes’, completa o criador.

A Rua Tiro 11

A Casa do Trem Bélico é considerada o mais antigo prédio público de Santos. Entre 1910 e 1945, o edifício sediou o Tiro Brasileiro de Santos, nº 11 da Confederação Brasileira de Tiro. As linhas de tiro eram centros patrióticos que treinavam jovens para o cumprimento de seus deveres cívicos, com o objetivo de prepará-los para o caso de guerra.

Em Santos, o Tiro de Guerra, nº 11 foi o primeiro e deixou um legado importante para a história militar da cidade, durante os seus mais de 40 anos de atuação. Criado em 1908, dois anos depois instalou-se no antigo casarão da Casa Real do Trem. Em homenagem aos serviços prestados pelo Tiro de Guerra, nº 11 à cidade de Santos, a antiga Travessa do Rio Branco, onde estava instalado o casarão, passou a se chamar Rua Tiro Onze.

Visite!

Visite!

A Casa do Trem Bélico fica na Rua Tiro Onze, no Centro de Santos e está aberta à visitação, de terça a domingo, das 11h às 17h, com entrada gratuita. O Zé Corneteiro está no Museu aos finais de semana e a performance acontece sempre que o bonde turístico passa na esquina da rua. Disk Tour: 0800 173887

 

O Zé Corneteiro mexe com o imaginário das pessoas. Ele as tira da viagem real, o passeio de bonde, e as transporta para uma viagem virtual.

Diego Brígido

Editor da Revista Nove