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Tem alguém com um termômetro na minha cozinha. E agora?

Por Júlia Grosso

Existe um momento curioso na vida de todo dono de restaurante. É quando ele descobre que, além de chef, gestor, comprador, RH, psicólogo de equipe e resolvedor oficial de qualquer problema que apareça… ele também precisa lidar com uma consultora de segurança dos alimentos (a querida nutri).

E normalmente essa descoberta vem acompanhada de um certo olhar desconfiado e a clássica: “Lá vem alguém para achar problema.”

E eu entendo. De verdade.

Porque a primeira vez que a VeriFood entra em uma cozinha, a gente olha coisas que quase ninguém olha. A temperatura da geladeira, a organização do estoque, a etiqueta do alimento que ficou aberta, a tábua de corte que está no lugar errado, o termômetro que deveria estar sendo usado e não está.

Enquanto o cliente lá fora está escolhendo entre peixe ou massa, a gente está olhando para um pote de molho perguntando mentalmente: “que dia isso foi aberto?”. É quase um superpoder estranho.

Mas antes de continuar, vale lembrar de uma coisa importante: Santos sempre viveu de comida.

Cidade portuária, porta de entrada de tanta gente, tanta cultura e tantos ingredientes. Italianos, portugueses, espanhóis, japoneses… cada povo que chegou por aqui trouxe um jeito de cozinhar, de temperar, de abrir um pequeno negócio. Muitos dos restaurantes que hoje fazem parte da identidade da Baixada Santista nasceram assim: familiares, com receitas de casa e muito trabalho.

A gastronomia daqui não nasceu em grandes redes. Nasceu em cozinhas pequenas, muitas vezes dentro da própria família, e foi crescendo junto com a cidade.

Talvez por isso o dono de restaurante da nossa região seja uma figura tão especial. Ele normalmente faz de tudo um pouco. Está no salão, resolve problema no caixa, conversa com cliente, ajuda na cozinha, recebe fornecedor e ainda precisa pensar no cardápio do dia seguinte.

E é justamente aí que entra a consultoria.

Porque, no meio de tanta coisa acontecendo, é difícil mesmo olhar para tudo. Temperatura, armazenamento, controle de estoque, organização da produção, treinamento da equipe. São detalhes técnicos que exigem tempo, método e atenção constante. 

Então acontece algo curioso depois de algumas visitas: aquele mesmo dono que no começo pensou “lá vem alguém para achar problema” começa a perceber que a consultora não apareceu para atrapalhar, apareceu para ajudar o restaurante a funcionar melhor.

Porque quando a cozinha se organiza, o trabalho flui. Quando o estoque roda certo, o desperdício diminui. Quando a equipe entende os processos, o serviço fica mais rápido. E quando a segurança dos alimentos está sob controle, o dono consegue finalmente dormir – um pouco – mais tranquilo.

Sem medo de uma fiscalização surpresa. Sem medo de um cliente passar mal. Sem medo de uma crise que poderia ter sido evitada.

Tem um termômetro na minha cozinha

A segurança dos alimentos é essencial na cozinha

Na VeriFood, a gente costuma brincar que nosso trabalho é cuidar do que o cliente não vê (e, muitas vezes, daquilo que o dono simplesmente não tem tempo de cuidar).

O cliente vê o prato bonito, o ambiente cheio, o garçom passando com habilidade entre as mesas. Mas por trás disso existe um sistema inteiro funcionando para que tudo aconteça da forma certa. E quando esse sistema funciona bem, acontece a mágica da gastronomia: o restaurante cresce, o cliente volta e todo mundo ganha.

Então se um dia você vir uma nutricionista entrando em uma cozinha com um termômetro na mão… não precisa se preocupar. Provavelmente ela só está tentando garantir que o seu jantar continue delicioso (e seguro.)

Foto: Divulgação

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