O palmito pupunha do Vale do Ribeira conquistou o selo de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Atualizada em 19.02.2026
A certificação reconhece oficialmente a reputação, a qualidade e a tradição da produção regional, que envolve aproximadamente 1,8 mil produtores e cerca de 10 mil hectares cultivados.
Com o novo registro, São Paulo passa a contar com 12 Indicações Geográficas, sendo nove ligadas ao agronegócio. O reconhecimento fortalece o protagonismo do estado no cenário nacional e destaca o Vale do Ribeira como referência em produção sustentável de palmito pupunha, cultura que substituiu o extrativismo predatório da palmeira juçara por um modelo agrícola ambientalmente responsável.
Abrangência e organização da produção
A Indicação de Procedência abrange 17 municípios do Vale do Ribeira: Barra do Turvo, Cajati, Cananéia, Eldorado, Iguape, Ilha Comprida, Iporanga, Itariri, Jacupiranga, Juquiá, Miracatu, Pariquera-Açu, Pedro de Toledo, Registro, Ribeira, Sete Barras e Tapiraí.
A gestão da IG é feita pela Associação dos Produtores de Pupunha do Vale do Ribeira (APUVALE), sediada em Registro. A entidade reúne cerca de 1.800 famílias produtoras e aproximadamente 70 agroindústrias, organizando a cadeia produtiva e garantindo o cumprimento do caderno de especificações técnicas aprovado pelo INPI.
Para utilizar o selo, os produtores precisam seguir práticas tradicionais e critérios rígidos de qualidade, que contemplam o palmito in natura, minimamente processado e em conserva, comercializado em formatos como tolete, rodelas, bandas, espaguete e picado.
Conquista histórica para o setor
Para Claudio de Andrade e Silva, ex-presidente e atual diretor de marketing da APUVALE, o reconhecimento representa um marco inédito para a cadeia produtiva.
“É a única indicação de procedência para palmito no mundo e o reconhecimento de um trabalho de longo prazo que transformou a produção local. Antes, o extrativismo predatório da palmeira juçara predominava; hoje, temos uma cultura agrícola sustentável com a pupunheira”, destacou Claudio.
Sustentabilidade e transformação social
Introduzida no estado na década de 1940, a pupunheira se adaptou ao clima quente e úmido do Vale do Ribeira. Um dos principais diferenciais da cultura é a capacidade de rebrota da planta, que permite múltiplas colheitas sem a retirada da palmeira, garantindo maior sustentabilidade ao sistema produtivo.
A região responde por cerca de 80% da produção nacional de palmito pupunha, consolidando-se como principal polo do país e fortalecendo a agricultura familiar como motor de desenvolvimento regional.
Turismo e gastronomia ganham novo impulso no Vale do Ribeira e região
A conquista da Indicação Geográfica também repercute diretamente na Baixada Santista, tradicional porta de entrada para turistas que circulam entre o litoral e o Vale do Ribeira. O reconhecimento fortalece a identidade regional e amplia o potencial de integração entre turismo rural, gastronomia e experiências ligadas à origem dos alimentos.
Com o selo de procedência, o produto passa a carregar um diferencial competitivo que pode estimular festivais gastronômicos, roteiros de turismo rural e ações de valorização da culinária regional. A certificação reforça a narrativa de origem e qualidade, atributos cada vez mais buscados por consumidores e visitantes interessados em experiências autênticas.
Pesquisa e inovação impulsionam o setor
O desenvolvimento da cultura contou com apoio técnico e científico ao longo das décadas. Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) identificaram o Vale do Ribeira como área estratégica para o cultivo, graças ao solo fértil e à distribuição regular de chuvas, que reduzem a necessidade de irrigação.
Mais do que um selo, a Indicação Geográfica do palmito pupunha do Vale do Ribeira consolida uma identidade territorial construída a partir da união entre tradição, inovação e responsabilidade ambiental, elementos que projetam o produto paulista com ainda mais força no cenário nacional e ampliam seu impacto econômico também no litoral paulista.
Foto: Divulgação