O Instituto Histórico e Geográfico de Santos (IHGS) recebe, de 28 de fevereiro a 30 de abril de 2026, a exposição ‘Ausências Brasil’, do fotógrafo argentino Gustavo Germano
Atualizada em 25.02.2026
A mostra, realizada pelo Núcleo de Preservação da Memória Política (NM) em parceria com o IHGS, propõe uma reflexão sensível e impactante sobre os assassinatos e desaparecimentos forçados ocorridos durante a ditadura militar brasileira (1964–1985).
Composta por doze pares de fotografias, a mostra contrapõe imagens antigas de álbuns de família de vítimas da repressão com novas fotografias produzidas nos mesmos locais, décadas depois. Nas imagens atuais, o vazio deixado por quem foi assassinado ou desaparecido revela presenças simbólicas, a dor, a saudade, a injustiça e a memória que resiste ao tempo.
Início de um projeto
A mostra teve início na Argentina, motivado pela história pessoal de Germano. Seu irmão, Eduardo Raúl Germano, foi detido e desaparecido pela ditadura argentina em 17 de dezembro de 1976. Seus restos mortais foram identificados apenas em 2014 pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. A partir dessa experiência, o fotógrafo expandiu o trabalho para outros países latino-americanos atingidos pela Operação Condor, articulação repressiva das ditaduras do Cone Sul com apoio dos Estados Unidos. No Brasil, as fotografias foram realizadas em 2012, do Ceará ao Rio Grande do Sul.
Programação Especial
Além da exposição, o público poderá participar de uma série de atividades educativo-culturais, incluindo visitas mediadas, formação de educadores e rodas de conversa com ex-presos políticos como Maurice Politi e Aníbal Ortega, santista que vivenciou o período de repressão. A proposta é fomentar o debate sobre os impactos da violência de Estado no passado e suas repercussões no presente.
Segundo a museóloga do NM, Kátia Felipini Neves, um dos objetivos centrais do projeto é destacar a importância da democracia e da reparação simbólica.
“Cada vez que a gente apresenta essa exposição, é uma forma de reparar essas famílias”, afirma.
A cidade como cenário
A escolha de Santos como sede da mostra não é aleatória. A cidade teve papel relevante no cenário político nacional e foi marcada por episódios de repressão e resistência. Entre os símbolos desse período está o navio-prisão Raul Soares, ancorado no porto santista e utilizado como centro de detenção e interrogatório durante a ditadura militar. Ao longo da história, Santos vivenciou intervenções, censuras, perseguições e graves violações de direitos humanos, mas também consolidou sua tradição de mobilização popular e luta por democracia.
Para Sergio Willians, diretor executivo do IHGS, receber a exposição reafirma o compromisso da instituição com a memória e o direito à verdade.
“Preservar a história local e nacional, em todas as suas faces, significa honrar os que sofreram, reconhecer os que resistiram e inspirar as novas gerações a valorizar a liberdade, a democracia e a dignidade humana”, destaca Sergio.
Programação da exposição
27 de fevereiro (sexta-feira)
14h às 15h30 – Encontro de Formação de Educadores
28 de fevereiro (sábado)
15h30 às 16h30 – Visita educativa mediada
16h30 às 17h30 – Roda de conversa com ex-presos políticos
18h – Abertura oficial com presença de representantes do IHGS, do NM e do deputado estadual Antonio Donato
28 de março (sábado)
14h às 16h30 – Formação de Educadores e Roda de Conversa com ex-presos políticos (Inscrições pelo perfil @nucleomemoria)
A exposição ‘Ausências Brasil’ acontece de 28 de fevereiro a 30 de abril, no Instituto Histórico e Geográfico de Santos (Av. Conselheiro Nébias, 689 – Boqueirão/Santos), com entrada gratuita e visitação de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h.
Foto: Gustavo Germano