Declarado oficialmente como ‘Ano da Criatividade’ pela World Creativity Organization, 2026 posiciona o Brasil no centro do debate global sobre inovação ao transformar a criatividade em eixo estratégico de desenvolvimento econômico, social e cultural
Atualizada em 30.01.2026
A iniciativa inaugura uma agenda estruturada que busca converter o reconhecimento internacional da criatividade brasileira em políticas públicas, projetos estruturantes e oportunidades concretas de desenvolvimento.
Mais do que uma celebração institucional, o Ano da Criatividade surge em um contexto global de transformações aceleradas. Avanços da inteligência artificial, reconfigurações no mundo do trabalho, crise climática e a crescente disputa por talentos reposicionam a criatividade como um diferencial competitivo entre nações. Nesse cenário, o Brasil assume a ambição de tratar a criatividade não apenas como expressão cultural, mas como um ativo estratégico para o crescimento sustentável.
Em 2025, o Brasil foi reconhecido pelo Cannes Lions como o primeiro ‘País Criativo do Ano’, distinção tradicionalmente concedida a marcas e campanhas e, pela primeira vez, atribuída a uma nação. O reconhecimento funcionou como catalisador para ampliar o debate sobre como transformar reputação criativa em vantagem competitiva duradoura.
Da cultura ao desenvolvimento econômico
A declaração de 2026 como ‘Ano da Criatividade’ está formalizada em uma resolução que reconhece a criatividade como direito humano, competência transversal e ativo estratégico para o desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental do país. O documento estabelece alinhamento com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, reforçando o papel da criatividade na promoção da inclusão, diversidade e sustentabilidade.
Na prática, a proposta prevê uma articulação nacional envolvendo governos, universidades, empresas, organizações da sociedade civil e comunidades criativas distribuídas por todo o território brasileiro. A estratégia é estimular ações locais conectadas a uma visão global, respeitando vocações regionais e integrando diferentes setores da economia criativa.
Uma agenda estruturante para 2026
Entre as principais iniciativas previstas ao longo do ano estão eventos e plataformas já consolidadas no ecossistema criativo brasileiro, agora reunidas sob um mesmo guarda-chuva estratégico. O calendário inclui o ‘Dia Mundial da Criatividade’, celebrado em 21 de abril; o fortalecimento de comunidades criativas em dezenas de cidades; o lançamento de produtos audiovisuais e educacionais; além de premiações e encontros nacionais e internacionais voltados à economia criativa.
Santos na rota da criatividade global
Na Baixada Santista, Santos já integra de forma consistente o circuito internacional de eventos criativos. Um exemplo é o CreativeMornings, maior comunidade criativa presencial do mundo, que acontece mensalmente na cidade desde 2024.
Realizado no Juicyhub, o encontro faz parte de uma rede presente em mais de 260 cidades e 69 países, reunindo profissionais de diferentes áreas em torno de temas globais definidos mensalmente pela organização internacional. Gratuito e aberto ao público, o evento combina café da manhã, palestras curtas e rodas de conversa, estimulando networking, troca de repertório e impacto social.
Em 2026, Santos alcança um novo patamar dentro da rede ao ser escolhida como uma das cidades responsáveis por definir o tema de um dos meses do calendário global do CreativeMornings, decisão que influencia encontros simultâneos realizados em centenas de cidades ao redor do mundo. A escolha reforça o reconhecimento da cidade como território criativo ativo, com identidade cultural própria e capacidade de contribuir para debates internacionais.
A presença do CreativeMornings em Santos exemplifica como iniciativas locais dialogam diretamente com a agenda do Ano da Criatividade no Brasil: ações de base comunitária, conectadas globalmente, que transformam criatividade em desenvolvimento cultural, social e econômico.
Batemos um papo com Ludmilla Rossi, CEO do Juicyhub e Host do Creative Morning Santos, líder criativa e empreendedora serial na área de inovação e cultura, sobre o ‘Ano da Criatividade no Brasil’
Quais as iniciativas do Juicyhub focadas na criatividade em 2026?
“O Juicyhub seguirá e intensificará suas ações e calendário com eventos ligados à criatividade e ao acesso à nova economia. Entre essas iniciativas estão a realização de eventos mensais como o CreativeMornings, plataforma internacional de mais de 250 cidades em 70 países, onde o Juicyhub colocou Santos nesse mapa. Além disso, o Juicy conseguiu um feito incrível em 2026, que foi a sugestão do tema do mês de março. Com isso todas as cidades da rede global vão criar eventos criativos baseados na ideia de tema que Santos deu. Além do CreativeMornings o Juicyhub e seus canais de mídia seguirão realizando os grandes festivais gratuitos (como Festival GOMO e Festival CHAI) e apoiando outros eventos de criatividade e inovação da região, como fazemos desde sempre.”
Qual o seu olhar sobre Santos como polo criativo?
“Santos é uma cidade que ensina pelos seus desafios – e um deles é a baixa oportunização de postos de trabalho formais na área criativa. Ao mesmo tempo, devido às restrições, é uma cidade capaz de gerar muitos talentos. O santista criativo quando chega em mercados maduros brilha muito, porque aqui ele já fez de tudo. Esse é um grande paradoxo: a restrição que ensina é a mesma que expulsa os jovens. E é esse cenário com o qual mais precisamos nos preocupar, porque reter os jovens gera um ciclo virtuoso de empreendedorismo, que gera mais postos. Eu posso fizer que foi essa exatamente a minha história. Eu acredito que há muitas oportunidades, mas elas precisam ser fabricadas. O poder público como indutor é super importante e a iniciativa privada como executora, mais ainda.”
No seu ponto de vista, qual a importância de celebrar o ano da criatividade no Brasil?
“O dia mundial da criatividade foi criado em 2001 por uma mulher canadense, a Marci Segal. Ela começou a estudar criatividade em 1977 por influência do jornalismo, quando viu a manchete “Canadá em Crise de Criatividade”. Ela pensou: “Não seria ótimo se as pessoas soubessem como usar sua capacidade natural de gerar novas ideias, tomar novas decisões, realizar novas ações e alcançar novos resultados, para tornar o mundo um lugar melhor e também melhorar seu próprio lugar no mundo?”. Mesmo há tanto tempo, essa é uma reflexão muito atual.
O dia 21 de abril, véspera do Dia da Terra, 22 de abril, foi escolhido como o Dia Mundial da Criatividade e Inovação para enfatizar a importância de usar novas ideias para criar uma vida digna para todos em um planeta sustentável. Em 2006, o Dia Mundial da Criatividade e Inovação, Semana Mundial da Criatividade e Inovação, de 15 a 21 abril. O dia 15 também é emblemático porque é o aniversário do Da Vinci. No Brasil os movimentos começaram em 2014 com o psicólogo Lucas Foster, que também capitaneia o ano da criatividade. É um movimento importante, para gerar visibilidade e tornar o investimento e a criatividade pautas urgentes para o desenvolvimento de cidades, afinal a economia criativa é o setor que mais gera o primeiro emprego de jovens entre 18-24 anos.”
O que está em jogo
O Ano da Criatividade no Brasil pode ir além de um marco anual e consolidar um legado institucional e simbólico capaz de reposicionar o país no cenário internacional. Em vez de ser reconhecido apenas como exportador de commodities ou talentos individuais, o Brasil busca se afirmar como referência em modelos de desenvolvimento baseados na criatividade humana.
Em um mundo que busca respostas novas para desafios antigos, o país aposta em um ativo historicamente abundante. Em 2026, a questão central deixa de ser se o Brasil é criativo e passa a ser como essa criatividade será transformada em valor duradouro para sua sociedade e para o mundo.
Fotos:Divulgação