As águas de março e os nossos museus

Por Diego Brígido

Carnaval acabou e trouxe aquela ressaquinha disfarçada de saudade, aquela sensação de que o ano, agora, começou.

Mas, não soframos, porque no país do alalaô ainda tem muito bloquinho pra desfilar, muita água pra rolar.

E, por falar em água pra rolar, o mês das chuvas já mostrou a que veio por aqui, deixando submersas muitas cidades da região. São as águas de março fechando o calorento verão.

Mas, como nós, ainda que caiçaras de raiz, não costumamos morrer na praia, vamos trocar o guarda-sol por guarda-chuva e desbravar a Baixada Santista debaixo de chuva, chuvisco ou tempestade. Certo?

E pra isso, temos um desafio pra você, leitor fanfarrão: quantos museus você conhece em Santos e Região? O Museu Pelé e o Museu do Café? Ah, qual é? De Bertioga a Peruíbe, temos quase 30 museus, ou seja, se você estivesse de férias em março, daria pra conhecer um por dia – tudo bem, admito que nem todos têm um super acervo, mas, às vezes, uma única peça vale todo o passeio.

Bora pra um rolê pelos museus de Santos e região?

Então, aqui, vou apresentar os meus Top 10. Tá bom pra começar, né? O resto é com você, que tem até o próximo carnaval pra conhecer.

Top 10 Museus da Baixada Santista

Forte São João, em Bertioga

Forte São João, em Bertioga

A localização privilegiada, à beira do Canal de Bertioga, já seria motivo suficiente para você visitar o Forte São João. Foi a primeira fortificação construída no Brasil, em 1532, pelos portugueses, originalmente erguida em paliçada – estacas de madeira ligadas entre si – e batizada inicialmente de Forte São Thiago. Abriga a réplica de uma armadura medieval, espadas, arcabuzes, espingardas, coletes e capacetes de metal e canhões de murada. Também pode ser vista a carta de batismo do Padre José de Anchieta e os votos solenes de Anchieta e Manoel da Nóbrega. Mas, convenhamos, o forte em si, tombado em 1940, pelo Iphan, já é o próprio acervo.

Fica na Avenida Vicente de Carvalho, s/n – Parque dos Tupiniquins.
Todos os dias, das 9h às 17h, com entrada gratuita.

Fortaleza da Barra Grande, em Guarujá

Fortaleza da Barra Grande, em Guarujá

A Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande abriga outro museu que divide as atenções com a vista que proporciona. Localizado entre a Praia do Góes e a Praia de Santa Cruz dos Navegantes, é o primeiro museu histórico de Guarujá. A Fortaleza, construída em 1584 e reconhecida pelo Iphan como patrimônio histórico nacional, em 1964, é, por si só, um riquíssimo acervo. Além da arquitetura imponente e da belíssima vista da orla de Santos, o museu recebe exposições itinerantes. No interior da capela, a última obra do pintor japonês Manabu Mabe, com 20 m², impressiona os visitantes.

O acesso para quem vem pelo Guarujá é pela estrada Santa Cruz dos Navegantes, por dentro do clube Saldanha da Gama. Também é possível pegar as barcas que partem da ponte Edgar Perdigão, em Santos, com saídas frequentes.
De quarta a sábado, das 9h às 17h e domingo, das 9h às 14h.
Com monitoria e entrada gratuita.

Museu de Arte Sacra, em Santos

Museu de Arte Sacra, em Santos

Uma das mais importantes instituições museológicas de arte sacra do país, o conjunto arquitetônico já abrigou o Mosteiro de São Bento, e hoje abriga o MASS, aos pés do Morro São Bento. Para apresentar a relação histórica entre a arte sacra e o desenvolvimento da região, o museu apresenta bens móveis e integrados ao mosteiro, objetos de arte sacra, mobiliário, esculturas, pinturas, e muito mais em seu riquíssimo acervo.

Rua Santa Cecília, 795 – Morro de São Bento.
De terça a domingo, das 10h às 17h.
Com monitoria. Entrada: R$ 5,00.

Museu do Mar, em Santos

Museu do Mar, em Santos

Uma das maiores coleções de espécies marinhas está em exposição no Museu do Mar, com alguns exemplares únicos. Animais taxidermizados, como o albatroz-viageiro, a maior ave marinha do mundo; o peixe-lua, maior peixe ósseo existente; o tubarão-baleia, único em exposição na América do Sul, dentre outros, juntam-se a fósseis, corais, crustáceos, moluscos e répteis. Raias, tartarugas, pinguins e animais marinhos perigosos, como a moreia, o peixe-sapo, o peixe-leão e a raia elétrica também compõem o acervo. O museu tem uma sala para palestras, uma loja de souvenir e oferece curso de mergulho.

Rua República do Equador, 81, na Ponta da Praia.
Todos os dias, menos terças, 9h às 18h.
Com monitoria. Entrada: R$ 25,00 (ingresso duplo: Museu do Mar e Marítimo)

Museu de Pesca, em Santos

Museu de Pesca, em Santos

O conjunto arquitetônico abriga o museu do Instituto de Pesca e seu acervo conta com todo tipo de material ligado ao tema, desde exemplares de tubarões e peças taxidermizadas, ambientes lúdicos e até o famoso esqueleto de baleia Fin com 23 metros de comprimento e 7 toneladas. Também estão expostos maquetes de embarcações, aparelhos e equipamentos utilizados na pesca e em pesquisa oceanográfica.

O Museu de Pesca está aberto de quarta a domingo, das 10h às 18h e fica na Avenida Bartolomeu de Gusmão, 192, na Ponta da Praia. A entrada custa R$ 5.

Museu do Café, em Santos

Museu do Café, em Santos

Instalado no belíssimo Palácio da antiga Bolsa Oficial do Café, o Museu do Café foi criado em 1998 com o objetivo de mostrar a relação histórica entre o café e o Brasil. Em seu acervo, traz objetos e documentos que evidenciam a evolução da cafeicultura e do desenvolvimento político, econômico e cultural do país, além das telas e do vitral de Benedicto Calixto. A suntuosa construção ainda abriga exposições temporárias e oferece atividades lúdicas e temáticas o ano inteiro, inclusive para crianças. Para começar ou encerrar a visita, vale uma passadinha pela premiada cafeteria do museu.

O Museu do Café fica na Rua Quinze de Novembro, no Centro Histórico e o horário de funcionamento é diariamente, das 9h às 17h, com entrada a R$ 5.

Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos

Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos

A majestosa casa art noveuax foi construída em 1900, mas somente em 1921 ganhou este estilo arquitetônico. Já foi moradia de importantes famílias na época áurea do café, asilo, pensionato e quase foi demolida, até que a prefeitura reconheceu a utilidade pública do prédio. Em 1992, a Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto passou a ocupar o espaço e em 2012, finalmente, o casarão foi tombado e considerado patrimônio histórico da cidade. Hoje sedia importantes manifestações culturais em seus quase sete mil metros quadrados de terreno abraçados por um jardim impecável, que nos proporciona uma viagem ao passado. O nome é uma homenagem ao pintor que muito se dedicou a retratar e estudar Santos e região. Aos fundos, um charmoso bistrô reúne os apaixonados pelo espaço e oferece desde café da manhã até um jantar intimista ao som de boa música e uma taça de vinho.

A Pinacoteca fica na Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, no Boqueirão. Está aberta de terça a domingo, das 9h às 18h, com entrada gratuita.

Museu do Porto, em Santos

Museu do Porto, em Santos

O Complexo Cultural do Porto de Santos abriga o Museu, uma biblioteca com cerca de 4000 títulos, a Pinacoteca Gaffrée & Guinle (que recebe exposições temporárias e eventos culturais), uma hemeroteca e uma videoteca. O museu guarda um importante acervo histórico dos portos do país, com coleção de peças que resgatam a memória portuária, além de fotos com cerca de 700 negativos em vidro. A própria edificação que abriga o museu é parte do acervo e foi construída em 1902 para servir de moradia aos dirigentes portuários da época. A “Casa nº 1″ traduz as novas formas de morar introduzidas no fim do século passado, um período de renovação urbana, quando as famílias mais abastadas abandonaram seus sobradões no Centro da cidade, passando a construir palacetes nos novos bairros e avenidas.

O Museu do Porto fica na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, s/n, no Macuco. Funciona todos os dias, das 08h15 às 11h45 e das 14h15 às 17h45, com entrada gratuita e monitoria.

Casa da Cultura Afro-Brasileira, em São Vicente

Casa da Cultura Afro-Brasileira, em São Vicente

Localizado dentro do Parque Ecológico Voturuá, o museu, reaberto em janeiro de 2015, conta a história da escravidão no Brasil, por meio de obras em argila do escultor Geraldo Albertini. São 132 peças do artista, dispostas em uma construção que simula uma senzala e se apropria das paredes – como faziam os escravos – para também retratar a rotina nos quilombos. Albertini realizou pesquisas sobre a escravidão no país e se preocupou em destacar anciões e pessoas importantes dos quilombos, além de focar nos cultos religiosos da época. O museu também tem peças de outro artista, discípulo de Albertini, entalhadas em madeira, e é um espaço destinado à cultura afrodescendente.

Rua Dona Anita Costa, s/n, Vila Voturuá.
De terça a domingo, das 10h às 17h.
Com monitoria. Entrada: R$ 2,00 (ingresso para o Parque Ecológico Voturuá)

Palácio das Artes, em Praia Grande

Palácio das Artes, em Praia Grande

Dentro do imponente palácio na entrada da Praia Grande, o Museu da Cidade guarda mais de 40 mil documentos que contam a história do município, doados por moradores. Um painel fotográfico com 49 fotos revela a evolução de Praia Grande e dá as boas-vindas a um espaço clean com 6 mesas documentais, 15 monóculos gigantes com fotos antigas e três TVs com depoimentos de populares sobre a Praia Grande antiga e atual. O Complexo Palácio das Artes conta com muitos outros espaços, conforme nossa editoria ‘Cenário’ no início desta edição.

Avenida Presidente Costa e Silva, 1600, no Boqueirão.
De terça a sábado, das 14h às 17h30.
Com monitoria e entrada franca.

Diego Brígido

Editor da Revista Nove

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