Ecoturismo: o lado verde do litoral

Fotos: Christian Jauch

Além dos mais de 160 quilômetros de litoral, há outro atributo muito presente na região.

Este que, de tão presente, influenciou a escolha do nome turístico da Baixada Santista. A Costa da Mata Atlântica, que abrange de Bertioga a Peruíbe esbanja, claro, muito verde em toda sua extensão. Bem pouco resta de mata atlântica no Brasil – cerca de 7% da cobertura original –; a boa notícia é que grande parte do que ainda existe está na Serra do Mar, esta moldura exuberante em tons de verdes que abraça a região. Cenário perfeito para a prática de ecoturismo e turismo de aventura.

Então, deixamos o guarda-sol e as cadeiras de lado e nos jogamos na mata, ávidos por experiências diferentes na Baixada Santista. O resultado você acompanha nas próximas páginas e em nosso portal na internet.

Em Santos, o verde além dos jardins da orla

O jardim da orla santista continua sendo o maior do mundo, segundo o Livro dos Recordes. O que a maioria dos moradores e turistas ainda não sabe é que está na área continental a verdadeira vocação da cidade para o ecoturismo. Pertinho da zona urbana, às margens da Rodovia Rio-Santos, o que no passado foi uma plantação de bananas, agora é um dos muitos paraísos verdes da região: a Fazenda Cabuçu.

Três quilômetros de trilha, parte em região de planície costeira, parte no sopé da Serra do Mar, revelam belezas que nos fazem esquecer de que estamos ‘na praia’. Espécies nativas da mata atlântica dividem o percurso com outras plantadas pelo homem. Palmito juçara, bananeiras, cedros, bromélias, orquídeas, ananás e um sem-número de outras plantas proporcionam um momento ímpar: uma pausa para respirar o mais puro ar. Um carinho nos pulmões, na mente e na alma.

Conforme a trilha ficava mais fechada, junto à Serra do Mar, mais quente, úmida e interessante ficava a experiência. Uma aula de botânica in loco, com direito a estudar as fezes de uma onça que havia cruzado aquele caminho alguns dias antes, de acordo com o guia que nos acompanhava no roteiro. “Fico mais tranquila que ela tenha passado há dias atrás”, revela uma das turistas que fazia a trilha.

Ao final do percurso, a recompensa: a Cachoeira do Rio Cabuçu (ou do Escorrega), uma queda de 10 metros de altura, em formato de tobogã, que forma uma piscina natural de águas límpidas e revigorantes. Energias restauradas para encarar outros três quilômetros de volta.

As boas surpresas do manguezal

Os manguezais são importantes ‘berçários naturais’, pois abrigam espécies típicas, mas também são redutos de outros animais, aves, peixes, moluscos e crustáceos, em busca de alimento, reprodução e abrigo. Cerca de 95% do que o homem pesca no mar é produzido nos manguezais.

Uma aula sobre a importância deste ecossistema aliada a duas horas de remadas em canoas canadenses, com direito a avistamento de aves e contemplação do ambiente é o que propõe o roteiro Canoagem Ecológica no Manguezal de Praia Grande e São Vicente. O passeio começa no Portinho, em Praia Grande, e o percurso é cheio de surpresas. São três pessoas por canoa, acompanhadas de um guia especializado, que orienta o roteiro e dando uma aula sobre – e sob – os mangues.

Já nas primeiras remadas fomos agraciados com um bando de guarás-vermelhos que formavam um majestoso borrão rubro no céu. Considerada uma das aves mais lindas do mundo, vivem em manguezais e têm a coloração vermelha em função do caroteno presente nos crustáceos que eles comem. “O guará-vermelho não nasce vermelho, ele vai ganhando esta coloração conforme vai se alimentando dos crustáceos que têm esta cor”, explica Renato Marchesini.

O espetáculo entre as árvores ganhou mais cores com a chegada de novos integrantes. Garças brancas, azuis, socós, colhereiros e maguaris – a maior garça das Américas – juntaram-se aos rubros e fizeram todo o grupo deixar os remos de lado. Uma visão de tirar o fôlego, multicolorida, dando graça ao cinza da Ponte do Mar Pequeno, que se via ao longe.

O manguezal também é abrigo de jacarés, tartarugas, arraias, tubarões e outros peixes, como a tainha, o bagre e o parati. A possibilidade de deparar com algum deles torna o passeio mais emocionante. É um roteiro contemplativo, que desafia os participantes a conciliarem as remadas com os cliques fotográficos.

Um dia de aventuras nas terras do Conde

Guarujá ostenta 27 praias, segundo a Secretaria de Turismo do município. Mas, desde janeiro de 2016, a Ilha do Dragão, que tem 65% do território coberto de verde, ganhou um novo atrativo: a antiga Trilha do Conde reabriu como Parque do Conde, sob a gestão da ONG Instituto Litoral Verde, bem no meio da Serra do Guararu, no Rabo do Dragão.

Voltada à inclusão social, geração de emprego e às ações sustentáveis, a ONG pretende tirar do parque os recursos financeiros para manter seus projetos. Sorte da comunidade atendida e também de quem curte aventuras radicais em meio à mata.

É que, além das ações socioambientais que serão desenvolvidas no local, o parque oferece trilhas interpretativas, arvorismo, tirolesa, piscina natural e parede de escalada.

O cenário ajuda. Além da exuberância do verde que coroa este lugar afastado 27 quilômetros do centro da cidade, segundo o gestor do parque, Lauro Oliveira, com sorte, pode-se avistar, bichos-preguiça, capivaras, esquilos, saruês, gatos do mato, tatus, lagartos, veados e até onças pardas.

Em nossa imersão no local, logo na chegada, nos deparamos com uma mamãe lagarto e seu filhote em seu passeio matinal. Também fomos recebidos por um imenso jacuaçu – uma ave que lembra um pavão sem plumas – sob o galho de uma árvore e um lindo tucano-de-bico-preto.

Rumo à aventura, começamos com uma trilha sustentável, arqueológica e interpretativa. Sustentável, pois, o espaço aberto na mata é o suficiente para as pessoas passarem e as trilhas vão sendo revezadas, para dar tempo para a mata se recompor. Arqueológica porque no meio do percurso deparamos com um sitio arqueológico do século XVI, que pode ter sido um guarda-mata, uma construção para proteger os soldados de ataques piratas. E interpretativa pois cada trecho percorrido é explicado pelo competente Tony Carvalho, diretor e guia da Nação Ecológica Ecoturismo. “Isso tudo aqui é o nosso tesouro”, anima-se durante a explicação.

Após desbravar a mata, passando por córregos e cruzando trilhas feitas por onças, gatos do mato e capivaras, chegou a hora da aventura sob as árvores. Um percurso de arvorismo permite uma visão de cima da reserva. Na sequência, o trajeto emocionante de tirolesa nos leva até a parede de escalada, tudo com a máxima segurança, equipamentos adequados e monitores treinados. Para encerrar, um mergulho restaurador na piscina natural, formada pela queda d’água que mata a sede dos animais deste paraíso.

O portal da Jureia reserva beleza e muita aventura

Encravado no meio do Mosaico de Unidades de Conservação da Jureia, o bairro do Guaraú, em Peruíbe, reserva lindas praias, rios, cachoeiras, trilhas e muita aventura. Este reduto caiçara da região, além revelar paisagens inesquecíveis, desconhecidas para a maioria dos moradores e visitantes, é polo de atividades de ecoturismo e turismo de aventura. E, acredite, dá para passar dias por aqui.

Distante apenas 5 quilômetros do centro da cidade, no Guaraú é possível ser feliz em atividades como ecocanoagem, trilhas em meio à mata atlântica e praias desertas, water treeking, cascade, passeios em quadriciclo, trekking e muito mais.

Como as atividades são realizadas em áreas de reservas ecológicas, há uma grande preocupação com a conscientização e a educação ambiental na realização dos roteiros, que são acompanhados por monitores e guias treinados da agência Na Trilha da Jureia. Este paraíso também recebe grupos de bikers, caminhadas e 4×4, além de treinamentos empresarias e projetos educativos. Difícil é querer voltar para casa.

Todos estes cenários maravilhosos são, claro, redutos para a prática do birdwtching, ou avistamento de pássaros, que tem atraído cada vez mais estrangeiros para a região, mas, sobre esta atividade falaremos nas próximas edições.

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