A Baixada Santista se transforma em palco a partir do dia 28 de fevereiro com a chegada do projeto de dança contemporânea ‘Arrastão’.
Atualizada em 27.02.2026
Após cinco dias de residência artística realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Santos, dez artistas locais apresentam o resultado do processo criativo em seis performances gratuitas distribuídas entre Santos, São Vicente e Cubatão.
A residência foi conduzida pela Cia Etra de Dança, que neste ano celebra 25 anos de trajetória. Segundo a diretora geral da companhia, Ariadne Fernandes, quase 100 pessoas se inscreveram na convocatória pública na Baixada Santista.
As vagas priorizaram pessoas com deficiência, negras, trans, indígenas, mães solo e travestis. Dez artistas foram selecionados e, ao lado de convidados da companhia, participaram de uma imersão artística marcada por ensaios intensos e trocas de experiências.
“O processo é sempre atravessado pelas vivências de cada participante. Compartilhamos nossa trajetória, mas também absorvemos as urgências e questões que cada corpo traz”, afirma Ariadne.
Ruas como palco e corpos em deslocamento
Criada em 2015, a performance ‘Arrastão’ nasceu de um episódio real relatado por integrantes da companhia, que sofreram um arrastão antes de um ensaio. A partir desse ponto, a obra passou a incorporar experiências pessoais e temas urbanos urgentes, como violência, exclusão e o direito à ocupação do espaço público.
De acordo com o diretor artístico da companhia, Jande, cada edição do projeto é única.
“Ela se transforma a cada nova residência, incorporando as questões locais — violências contra mulheres, pessoas trans e minorias — e as experiências dos artistas da cidade”, explica Jande.
A performance propõe um grande deslocamento coletivo pelas ruas, inspirado em ações como flash mobs. Danças, corridas, cantos e interações diretas com o público estruturam a apresentação de forma não linear. O artista aparece como um corpo ainda deslocado no contexto urbano, enquanto o grupo reivindica o direito de ocupar e ressignificar os espaços públicos.
Celular em cena e reflexões sobre o mundo contemporâneo
Um dos elementos centrais da obra é o uso do celular pelos próprios performers. O aparelho, incorporado à coreografia, espelha o comportamento comum de registrar antes de vivenciar. A proposta provoca reflexão sobre a busca por validação nas redes sociais e sobre como a experiência artística é mediada pelas telas.
Ao longo do percurso, a intervenção busca romper a indiferença dos passantes e transformar o deslocamento coletivo em uma espécie de celebração pública. A performance convida à convivência, ao dissenso e à imaginação de outras formas possíveis de viver a cidade.
Circulação pela Baixada Santista
O projeto já passou por cidades como São Paulo, Campinas e Araraquara. Agora, chega à Baixada Santista com apresentações abertas ao público.
Calendário de apresentações:
Santos
- 28.02 (sábado), 10h – Ensaio aberto na Unifesp
- 28.02 (sábado), 14h – Praça dos Andradas (Centro)
- 01.03 (domingo), 17h e 18h30 – Quebra-Mar (José Menino)
Cubatão
- 07.03 (sábado), 11h – Em frente ao Parque Anilinas (Centro)
São Vicente
- 08.03 (domingo), 10h – Praça Tom Jobim
As datas e locais podem sofrer alterações em caso de mau tempo.
Mais informações estão disponíveis no perfil oficial do instagram da Cia Etra de Dança clicando aqui.
Foto: Divulgação