2026 promete ser um ano agitado – e com certeza você já leu isso algumas vezes nestes primeiros trinta dias. Tantos feriados em dias úteis (a maioria com emendas), Copa do Mundo e eleição vão sim bagunçar o calendário, mas também abrem uma janela rara de oportunidades para a gastronomia e o turismo.
Por Diego Brígido
Bares e restaurantes que souberem surfar essa onda, principalmente em regiões turísticas, como a Baixada Santista, vão ter um ano promissor.
Sem contar o Carnaval, a partir de abril, serão três feriados na segunda, quatro na sexta e um na terça (além de 9 de julho, uma quinta, feriado no estado de São Paulo), abrindo caminho para nove feriadões — e eles mexem diretamente com a economia da mesa.
Projeções do setor apontam que, enquanto regiões comerciais sentem o esvaziamento, áreas turísticas podem experimentar um aumento de até 40% no movimento de bares e restaurantes nesses períodos. Em Santos e Região, isso representa oportunidade real de crescimento para quem sabe se preparar.
Pesquisas apontam a cozinha regional e as experiências locais como importante eixo das tendências na gastronomia este ano. Momento bom para repensar os cardápios, considerando que os turistas – estes que aproveitarão os feriadões – buscam autenticidade ao saírem para comer nesses períodos.
A Copa tempera ainda mais esse molho
A Copa do Mundo será entre junho e julho, com jogos à tarde e no início da noite. Temos aqui a ativação de dois momentos cruciais para bares e restaurantes: happy hour e jantar.
É hora de criar menus especiais, reforçar os estoques, treinar a equipe para giro rápido e, por que não, criar kits de torcida para distribuir na casa. Também vale a pena pensar em investir em telões e televisores maiores, com alta definição de imagem.
Vale lembrar que boa parte dos jogos acontecem em período de férias escolares, quando o litoral tem aumento natural no fluxo de turistas e visitantes.
Em 2026, o calendário vira ingrediente-chave da operação gastronômica.
A Copa do Mundo de 2022 mostrou que, no Brasil, futebol e mesa caminham juntos. Nos dias de jogo, bares e restaurantes registraram aumento significativo de público, com projeções do setor apontando crescimento de até 30% no movimento. Não se trata apenas de assistir à partida, mas de transformar o jogo em encontro — com comida, bebida e convivência.
Em momentos festivos, o gasto médio por cliente tende a aumentar e o consumo se concentra em menos dias. Sem a concorrência da praia no inverno e com o toque afrodisíaco da Copa, o jeito é ir pro bar. Fique atento a isso, para não comer bola na escalação do time e na disponibilidade do menu.
Uma boa estratégia é fazer parceria com outros bares e restaurantes, criando roteiros temáticos, com descontos e brindes durante a Copa. Isso vale, sobretudo, para os eixos gastronômicos, como a Via Tolentino, o Canal 7, a orla e outros.
Mas a eleição pode azedar o caldo
No segundo semestre, o Brasil entra no clima de eleição. Incerteza, medo e polarização podem travar o paladar – e o bolso. O consumo cai. É hora do restaurante e do bar oferecerem mais valor com menos risco.
Dois momentos, operações distintas
Percebe como em cada um dos momentos – Copa e eleição – é preciso agir de forma diferente? Durante os jogos, você escala seu time, treina, aposta em combos e promoções, decora a casa, investe em infra e aumenta o giro.
Já, em outubro, é hora de reduzir desperdício, ajustar o ticket e focar na recorrência do cliente. Nada de extravagâncias, muito menos comportamento polarizado (a menos que você possa se dar o luxo de perder clientes).
Feriadões e Copa concentram consumo. Eleição exige cautela. Quem entende essa lógica sai na frente.
Uma das grandes falhas nas operações de gastronomia é achar que o comportamento do público é igual durante a semana e aos finais de semana, em dias normais e feriados, em agosto e em fevereiro.
Não há outro caminho senão planejar, principalmente em um ano tão desafiador e barulhento como 2026. Pense em criar duas estratégias, uma para os dias de alto movimento – feriados, férias e jogos da Copa, por exemplo, outra para os dias de retração – eleição, semanas pós feriado etc.
É fundamental entender que cada período do ano tem seu humor, que reflete no comportamento de consumo. Logo, não dá para usar a mesma quantidade de tempero para porções diferentes de feijão.
Ler o cenário com antecedência vira vantagem no caixa. Nem toda instabilidade é tempestade — às vezes é só corrente a favor. Mas o capitão precisa planejar a rota antes de sair do porto.
Datas estratégicas para bares e restaurantes em 2026
Março
Dia 8 (domingo) – Dia Internacional da Mulher (oportunidade para criar menus e eventos especiais)
Dia 15 (domingo) – Dia do Consumidor (vale pensar em campanhas inteligentes)
Abril
Dia 3 (sexta) – Paixão de Cristo (cardápio e estoque mudam)
Dia 5 (domingo) – Pascoa (atenção à sazonalidade e aos menus especiais)
Dia 21 (terça) – Tiradentes (almoço forte em algumas praças)
Maio
Dia 1 (sexta) – Dia do Trabalho (feriado, vale repensar estoque e equipe; almoço forte em algumas praças)
Dia 10 (domingo) – Dia das Mães (uma das maiores datas para os restaurantes)
Junho
Dia 4 (quinta) – Corpus Christi (feriadão, repensar estoque e equipe; atenção aos menus especiais)
Dia 11 (quinta) – Início da Copa (Brasil em festa, atentar-se a tudo o que falei no artigo)
Dia 12 (sexta) – Dia dos Namorados/Copa (outra grande data de oportunidade para a gastronomia; vale atenção por ser em meio à Copa)
Dia 24 (quarta) – Dia de São João (atenção aos menus e decoração, mas também, cautela, pois há disputa de público com as festas juninas)
Julho (férias – já é um ponto de atenção)
Dia 19 (domingo) – Final da Copa (Brasil em festa ou não, atenção ao fluxo e ao comportamento de consumo no período)
Agosto
Dia 9 (domingo) – Dia dos Pais (outra grande data para a cena gastronômica – almoço em família ou aquele happy hour com o velho)
Setembro
Dia 7 (segunda) – Independência do Brasil (feriadão, atenção às sugestões do texto)
Dia 8 (terça) – Dia da Padroeira de Santos (feriadão para a cidade)
Dia 15 (terça) – Dia do Cliente (oportunidade para campanhas e fidelização)
Outubro
Dia 4 (domingo) – Eleição (fluxo e horários mudam; atenção à retração)
Dia 12 (segunda) – Dia de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Crianças (data forte, feriado, perfil de consumo muda; oportunidade de campanha para a molecada em restaurantes)
Dia 25 (domingo) – Eleição: 2º. Turno, se houver (fluxo e horários mudam; atenção à retração)
Novembro
Dia 2 (segunda) – Dia de Finados (comportamento de rua muda, atenção aos horários, retração de consumo)
Dia 15 (domingo) – Proclamação da República (feriado no domingo, não muda muito)
Dia 20 (sexta) – Dia da Consciência Negra (feriado prolongado, aumento no fluxo)
Dia 27 (sexta) – Black Friday (delivery em alta, oportunidade para combos e promoções reais; cuidado para não virar ‘meme’)
Dezembro
O mês das confraternizações (oportunidade de promoções, combos, reservas grandes; pico de público corporativo, hora de fidelizar)
Dias 24 e 25 (quinta e sexta) – Natal (operação e logística diferentes; consumo muda; oportunidade para encomendas e ‘estraga ceias’)
Dia 31 (quinta) – Réveillon (operação e logística diferentes; consumo muda; oportunidade para encomendas e ‘estraga ceias’)