No dia em que Santos completou 480 anos, (26), a Prefeitura entregou o novo Mercado Municipal – Centro Cultural Plínio Marcos, no Centro, totalmente restaurado e modernizado
Atualizada em 28.01.2026
Datado de 1902, o edifício foi completamente restaurado e reformado, com investimento total de R$ 32 milhões, e inicialmente será aberto para a realização de eventos.
A obra, conduzida pela Secretaria de Obras e Edificações (Seobe), contemplou o restauro das fachadas e telhados, que devolveu ao prédio a estética original do início do século XX, e a requalificação completa dos ambientes internos, agora preparados para receber atividades comerciais, culturais e gastronômicas.
Segundo o escritório responsável pelo projeto, o ponto de partida foi compreender o Mercado como um espaço em constante transformação.
“O Mercado Municipal não é apenas um edifício histórico, mas um equipamento urbano vivo. Nossa abordagem foi de restauro criterioso daquilo que é patrimônio e de intervenção contemporânea clara e reversível no interior”, explicam os responsáveis pelo escritório MW.ARQ.
Para garantir essa leitura histórica, foram realizadas prospecções pictográficas que permitiram identificar a paleta original do edifício. O projeto se inspira em experiências bem-sucedidas de revitalização de mercados históricos na Europa e em outras cidades do mundo.
“Respeitamos materiais, cores e proporções da fachada, enquanto o interior foi tratado como infraestrutura urbana do século XXI”, afirmam os arquitetos.
Comércio, cultura e economia criativa
Com cerca de 5,3 mil metros quadrados e Nível de Proteção 2 do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), o novo Mercado Municipal foi modernizado com ampliação dos espaços internos e infraestrutura pensada para abrigar uma combinação de comércio tradicional e economia criativa. A proposta arquitetônica parte da ideia do Mercado como uma plataforma urbana de usos múltiplos.
“Desde o início, o Mercado foi pensado não apenas como um mercado tradicional, mas como um espaço de convivência, permanência e fruição cultural”, destaca a equipe.
O edifício recebeu climatização, sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), itens de segurança para obtenção do AVCB, rede de gás e relógios individuais de água, luz e gás para os permissionários, além de acessibilidade em todos os pavimentos.
“Criamos camadas de experiência: a compra cotidiana, o encontro, a permanência e o uso cultural. A ideia foi desenhar um espaço flexível, capaz de receber eventos, ativações e diferentes usos ao longo do tempo”, explicam.
Conforto e atenção aos detalhes
Entre os destaques da requalificação estão o teto em PVC com acabamento que remete à madeira, garantindo conforto térmico e visual, e o gerador a gás, que assegura o funcionamento do espaço. Guarda-corpos de vidro com 1,10 metro de altura garantem a segurança dos frequentadores.
No mezanino, destinado a áreas de coworking, e no segundo pavimento, que abrigará restaurantes, foram utilizados pisos em porcelanato, cerâmica nas paredes e forro de gesso. A iluminação interna foi pensada para criar um ambiente aconchegante, enquanto a iluminação cênica valoriza a arquitetura histórica da fachada.
Acessos e mobilidade
Defronte à Estação Mercado do VLT, a entrada principal preserva as portas originais restauradas e dá acesso a um saguão com piso inspirado nas muretas da orla de Santos, em tons de cinza. No restante do edifício, o piso de granilite alia durabilidade e facilidade de manutenção.
Pela Rua do Meio, rampas garantem acessibilidade, e o portão metálico — réplica do original — reforça o diálogo entre preservação histórica e modernização. A localização estratégica, integrada ao sistema de transporte público, amplia o potencial de circulação de moradores e turistas.
“Ele está exatamente no encontro entre o fluxo intenso das catraias e o novo eixo do VLT. Requalificar esse edifício é potencializar esse movimento urbano, oferecendo comércio, gastronomia e cultura para quem passa diariamente pela região”, explicam os responsáveis pelo escritório MW.ARQ.
Revitalização do entorno
A entrega do Mercado Municipal está inserida em um projeto mais amplo de requalificação urbana da Região Central. Além da estação do VLT implantada em frente ao prédio, estão em andamento obras de renovação asfáltica da Praça Iguatemi Martins e melhorias na chamada Rua do Meio, que já recebeu reforço na drenagem e passeios acessíveis no padrão Calçada para Todos.
O projeto da Bacia do Mercado prevê ainda a implantação de um bulevar em frente ao Bom Prato, melhorias na área de atracação das catraias, novo acesso entre a Rua Sete de Setembro e a Perimetral, cobertura em arcos de concreto na estação das catraias, novo espaço administrativo com sanitários, deck flutuante e acessível para embarque e desembarque, área de contemplação, reforço da iluminação pública, novo mobiliário urbano, paisagismo e área para estacionamento de veículos.
Investimentos
Do total de R$ 32 milhões aplicados na restauração e reforma do Mercado Municipal, cerca de R$ 18,1 milhões são provenientes do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Turismo e Viagens, com recursos do Dadetur. Outros R$ 5,3 milhões vieram do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano (Fundurb), com verba oriunda de Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias (Trimmc) da empresa EDGE, e R$ 9,4 milhões foram investidos pelo Município. A obra foi executada pela Construtora 2N Engenharia.
As intervenções de reurbanização da Bacia do Mercado somam R$ 12.889.865,08, com recursos do Fundurb, sob responsabilidade da Leman Construções e Comércio S.A. O desenvolvimento do projeto contou ainda com atuação integrada entre o escritório de arquitetura, equipes técnicas da Prefeitura e a Comunitas, dentro do modelo de Parceria Público-Privada (PPP).
Homenagem a Plínio Marcos
O novo Mercado Municipal leva o nome de Plínio Marcos, um dos mais importantes dramaturgos do país e figura inseparável da história cultural de Santos. Nascido na Cidade em 1935, Plínio construiu uma obra marcada pela linguagem direta, pela crítica social e pela defesa da dignidade humana, com textos que ambientaram personagens e histórias na região central santista.
Autor de peças consagradas como ‘Barrela’, ‘Navalha na Carne’ e ‘Dois Perdidos Numa Noite Suja’, Plínio também atuou como ator, jornalista, cronista e militante da cultura popular, deixando um legado artístico profundamente ligado à identidade da Cidade.
Desenvolvimento sustentável no Centro
A revitalização do Mercado Municipal integra um conjunto de ações voltadas à recuperação do Centro Histórico, que inclui restauro de edifícios, melhorias na infraestrutura urbana e incentivos à moradia e à economia criativa. O objetivo é reocupar áreas degradadas, fortalecer a identidade cultural, atrair investimentos e promover o desenvolvimento sustentável, reafirmando o papel do Centro como espaço vivo da Cidade.
Fotos: Carlos Nogueira e Francisco Arrais