Pra onde tenha sol

Verão para quem quer fugir da rotina na Baixada Santista

A Baixada Santista é linda em todas as estações do ano, mas no verão nossas cidades ganham um brilho especial

A orla e os equipamentos turísticos ficam ainda mais convidativos e a região ganha novas opções de entretenimento. Para quem não abre mão de um banho de mar, dá para escolher entre dezenas de praias, com opções para todos os públicos.

Mas o verão na região também tem programações para quem prefere sair do lugar comum. Nessa matéria especial, você vai conhecer diversas opções para curtir o verão na Baixada Santista, fora da caixinha – e da cadeira de praia.

Capricha no filtro solar, separa a garrafinha de água e cuidado para não queimar o pé, porque a viagem é longa. E pra onde tenha sol, é pra lá que nós vamos.

Hip ho e a canoa havaiana

Canoa havaiana ou canoa polinésia são nomes nacionalizados para denominar este esporte, conhecido como Va’a ou Wa’a, que surgiu na região do triângulo polinésio, há mais de 3 mil anos. As canoas eram usadas pelos povos polinésios para colonizar novas terras.

Nas praias da Baixada Santista, mais precisamente entre Santos e Guarujá, tem uma turma que também usa a canoa para desbravar paraísos. Os roteiros de canoa havaiana podem ser contratados e são acompanhados por instrutores, com saídas da Ponta da Praia, em Santos.

Normalmente, são canoas que levam seis pessoas (ou catamarãs, com duas canoas unidas), incluindo o instrutor e durante a remada, cada um tem a sua função – enquanto três remam no lado esquerdo, os outros três remam no direito, intercalados. O terceiro remador é quem faz a contagem para a troca de remada, normalmente anunciada na 14ª, com o grito ‘Hip’, quando os demais respondem com ‘Ho’ e trocam o lado do remo.

O passeio, entre a preparação e o retorno, dura em média uma hora e meia e contempla uma remada tranquila, acessível a todos, com direito a conhecer paraísos escondidos em Guarujá, como a Praia do Cheira Limão, Praia do Sangava e Ilha das Palmas, onde a canoa fica um tempo para um mergulho e a alegria dos remadores.

História e natureza a bordo de uma escuna

Outra opção de passeio, no mar, para todas as idades, são os roteiros de escuna pelas praias da região. Tem saídas em Bertioga, Santos e até no Rio Guaraú, em Peruíbe.

Em Bertioga, as saídas acontecem ao lado do Forte São João e já dá para aproveitar a passagem por lá e conhecer este que é o primeiro forte do Brasil.

A escuna sai do canal de Bertioga, sentido litoral Sul, passando pelo Forte São João e pelo Forte São Luiz e faz a maior parte do roteiro pelas praias do Guarujá: Branca, Preta, Camburizinho, passa pelas ilhas do Guará e Rasa, praias do Pinheirinho e Iporanga, onde fica 20 minutos parada para um delicioso e límpido banho de mar.

O passeio dura em média uma hora e meia e a escuna tem capacidade para 130 passageiros. Durante a temporada, as saídas são diárias, a cada duas, horas, a partir de 9h, sendo a última saída às 19h. Entre os meses de março e novembro, os roteiros acontecem apenas aos finais de semana e feriados. Para não passar sufoco, é bom chegar com 20 minutos de antecedência.

*Foto: Odjair Baena

De barco, na Amazônia Paulista

Talvez você não saiba, mas Itanhaém é conhecida como a Amazônia Paulista, devido à extensão de sua bacia hidrográfica: são mais de 2 mil quilômetros de rios, sendo que 180 quilômetros são navegáveis.

Um fenômeno similar ao que ocorre com os rios amazônicos Negro e Solimões, acontece também por aqui, onde os rios Preto e Branco se encontram e formam o rio Itanhaém.

Esta maravilha da natureza pode ser presenciada em um passeio de barco, que ainda proporciona a contemplação de fauna e flora típicas de região de manguezal, com pássaros de várias espécies acompanhando todo o percurso e enormes peixes de água doce exibindo-se próximo à embarcação.

O roteiro leva cerca de duas horas e meia, em uma embarcação que comporta até 50 pessoas e parte do píer localizado na alameda Emídio de Souza, na Praia dos Sonhos, próximo ao Itanhaém Iate Clube.

Até o encontro dos rios, percorre-se 4,5 quilômetros e, logo após, outro ponto alto do passeio é a parada no Country Club, onde se pode alugar pedalinhos e caiaques para explorar o rio por conta própria, além de saborear porções e outras especialidades da casa, em clima rural.

*Foto: Diego Brígido

Paraísos da Jureia

Se você ainda não conheceu as praias paradisíacas da Jureia, em Peruíbe, nós vamos apresentar duas formas de explorar estes cenários maravilhosos com total responsabilidade socioambiental.

A primeira sugestão é pegar um barco que sai do Rio Guaraú e faz um roteiro por sete praias até a Barra do Una, limite onde a visitação é permitida na Jureia.

O roteiro inclui as praias do Arpoador (a mais procurada, pois também oferece banho em uma queda de água doce), Parnapuã, Juquiá, Brava, Desertinha, Caramborê e Barra do Una, uma Reserva de Vida Silvestre (RVS).

O acesso às praias só pode ser feito acompanhado de um monitor ambiental do município. Então, quando você contrata o barco, sempre haverá um monitor na praia aguardando a chegada.

Os barqueiros ficam concentrados no Rio Guaraú e muitos surfistas contratam o serviço para pegar onda principalmente na praia do Parnapuã. Não é permitido entrar com garrafas, cadeiras e guarda-sol nas praias e o tempo máximo de permanência é de duas horas.

Também vale uma parada na Ilha do Guaraú, conhecida como Ilha do Bom Abrigo, que esconde uma piscina natural e oferece um dos mais lindos pores do sol que você vai ver.

Outra sugestão é aventurar-se por trilhas, que dão acesso a todas às praias. Pode ser contratado um roteiro de meio dia, com parada na praia do Arpoador ou de dia inteiro, desbravando as sete praias.

Equilíbrio e o mar todo pela frente

O Stand Up Paddle (SUP), Remo em Pé (REP), em português, ou ainda Hoe He’e Nalu, na língua havaiana, originou-se no Havaí, no início dos anos 1960. Há quem diga que o esporte ressurgiu como uma maneira encontrada pelos instrutores de surf para acompanharem seus grupos de alunos, uma vez que em pé era mais fácil de observar a todos.

Certo é que o SUP é um dos esportes que mais cresce e ganhou adeptos do windsurfe, surfe, canoagem e outros esportes de remo, projetando grandes campeões no Brasil e no mundo.

A modalidade se tornou a queridinha das praias pois pode ser praticada por qualquer pessoa e não exige nenhum grande preparo físico. A única exigência é manter o equilíbrio trabalhando todo o corpo: pés, pernas, abdômen e braços. Além de ser um excelente exercício aeróbico, permite o contato com a natureza e a possibilidade de desbravar lugares maravilhosos.

Nas praias da região é possível encontrar pessoas de todas as idades sobre a prancha, com remo na mão e o mar todo pela frente. Os tombos nas primeiras tentativas são normais e fazem parte do aprendizado, além de garantir aquela refrescada nesse calorão.

Em diversos pontos da orla, em várias cidades da Baixada Santista, você encontra locais para aluguel de pranchas. Nós acompanhamos três desbravadores durante uma tarde na Praia do Gonzaguinha, em São Vicente, e encontramos pelo menos três pontos para locação por ali.

*Foto: Eduardo Castro

Diego Brígido

Editor da Revista Nove