Turismo na aldeia

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A aldeia Tabaçu Reko Ypy, na divisa entre Itanhaém e Peruíbe, é nova, tem cerca de quatro anos e divide com outras seis aldeias um espaço de 2965 hectares, que formam a terra indígena Piaçaguera.

Itamirim, ‘pedra pequena’ em tupi-guarani, mulher do cacique Verá (Relâmpago) é uma espécie de porta-voz da aldeia e nos contou sobre o modo de vida da sua tribo.

Ela conta que os índios, por natureza, eram nômades e só passaram a viver em aldeiamentos com a chegada dos jesuítas portugueses, que os reuniam para a catequização. ‘Hoje o aldeiamento é importante pois é uma maneira de conseguirmos, junto ao governo, a demarcação das terras’.

Itamirim explica que novas aldeias surgem quando um grupo da mesma etinia cresce muito e o espaço comum passa a ficar pequeno. Então, os subgrupos se espalham pelas terras e criam novas aldeias, com ideais políticos e sociais próprios.

A aldeia Tabaçu

A aldeia Tabaçu tem dois espaços em meio à mata; um deles, que eles chamam de contemporâneo, mistura as culturas – tem ocas, casas de barro e de madeira, luz elétrica e ali é permitido o uso do celular, internet e televisão. Neste espaço eles podem comer a comida enviada pela pelo governo municipal, para manter a merenda escolar, já que Itamirim leciona na aldeia e tem uma sala de aula vinculada à prefeitura. É também o espaço onde eles recebem turistas e visitantes. ‘É a maneira de ensinarmos nossas crianças a conviverem nos dois mundos’, explica.

O outro espaço, após o lago que corta as terras, é onde eles dormem e aprendem a viver na natureza – e da natureza, como indígenas. Em meio à mata, Itamirim ensina as crianças a serem índios.

A aldeia é organizada politicamente da seguinte forma: há um cacique e um vice-cacique, o esposo e a mãe de Itamirim consecutivamente e, abaixo deles, as lideranças em várias áreas, como educação e saúde. Estes líderes são os chefes das famílias que vivem na aldeia e formam um conselho, que se reúne periodicamente para discutirem interesses comuns. ‘Esta estrutura política foi criada por nós, não é algo da nossa raíz, mas precisamos nos adaptar à realidade atual’, explica a índia.

As reuniões acontecem junto ao Tataruçú, ‘a grande fogueira’, que para eles é um portal com ligação ao divino (nhandejary) e que, portanto, os mantém protegidos de brigas e conflitos. Ao lado do Tataruçu há dois tocos, onde são amarrados aqueles que descumprem as regras – crianças e adultos. ‘Aqui nós pregamos o amor, portanto não permitimos brigas e confusões. Quem desobedece, fica amarrado aos tocos refletindo e pedindo perdão à divindade até que o Morubixaba (cacique) autorize a soltura’.

Os desafios

Como em muitas outras tribos, há grandes desafios diários e o principal deles é cuidar para que as crianças e jovens não se deslumbrem com o mundo fora da aldeia. ‘Há jovens que, por serem discriminados na cidade, negam a sua origem e não querem mais viver na tribo’, conta Itamirim. As drogas, a prostituição e o álcool também já chegaram às aldeias pela influência do ‘homem branco’.

Para tentar driblar estes problemas, a Tabaçu tem página nas redes sociais para divulgar a cultura indígena e fazer com que as pessoas conheçam, tenham mais interesse e menos preconceito com os índios.

A aldeia Tabaçu Reko Ypy optou por adotar a prática indígena antiga da coletividade. Alguns índios da tribo têm renda, pois trabalham na cidade ou na comunidade indígena, contratados pelo governo e esta renda é coletiva e mantém toda a aldeia. ‘É como se todos tivessem uma renda, pois todo o dinheiro que entra é para os interesses da aldeia’. Assim também funciona com o trabalho braçal, todos fazem tudo juntos.

Projeto Turístico

Com base nestas práticas, a tribo montou um projeto turístico, para atrair grupos de visitantes para conhecerem o verdadeiro modo de vida indígena, com suas tradições, danças, ritos e vivências. ‘As pessoas visitam aldeias indígenas e se decepcionam, pois encontram os índios vestidos com roupas de marca, correntes de ouro e casas de alvenaria. Quem vem aqui, vivencia exatamente como vivemos, mantendo nossas raízes. O ingresso que as pessoas pagam ajuda a manter as atividades da tribo’.

Para Itamirim, além de mostrar às pessoas o modo de vida do índio, este projeto faz com que os próprios indígenas resgatem os seus valores, pois à medida que eles precisam mostrar para as pessoas como são, eles precisam ser. ‘Nós estamos reaprendendo a ser índios, a respeitar os nossos valores’.

A tribo mantém alguns rituais indígenas, como o boraý, o ‘canto sagrado’, momento de adoração ao divino, que acontece todas as noites; as danças; a atribuição de nomes às crianças e a fogueira da cura. Tudo isso pode ser vivenciado pelos visitantes, o que inclui banho no lago e muito mais.

Na edição de maio, a índia Itamirim é a nossa ‘Persona’. Batemos um papo com ela, que nos contou um pouco do trabalho que exerce junto à comunidade indígena de Peruíbe. Uma belíssima matéria.

Visite

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Abaixo os contatos para quem deseja passar um dia diferente na aldeia e voltar para casa conhecendo mais este povo que tem tanto a nos ensinar.

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Diego Brígido

Editor da Revista Nove

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