Vicente de Carvalho, o Poeta do Mar

Fotos: Francisco Arrais

Seu nome está em placas espalhadas em praticamente toda a Baixada Santista, intitulando ruas, avenidas e até um distrito, em Guarujá.

Santista de nascença, recebeu algumas homenagens em sua terra natal: o trecho da avenida da orla da praia entre a avenida Ana Costa e o Canal 4, no Boqueirão, recebe o seu nome, e o famoso jardim, no mesmo perímetro, ostenta, desde 1946, uma estátua e uma fonte luminosa em sua homenagem. Muito justo para quem foi considerado o ‘poeta do mar’, ainda que haja uma polêmica na cidade sobre o motivo de o monumento estar atualmente de costas para a praia.

Em Guarujá, Vicente de Carvalho é um distrito, com forte vocação comercial, por onde circulam diariamente cerca de 60 mil pessoas. A avenida principal – Tiago Ferreira – concentra mais 400 estabelecimentos comerciais e diversidade cultural, com maciça presença de nordestinos, catarinenses e libaneses. Também estão nesta região a estação de barcas e catraias, que fazem a ligação com Santos, a Base Aérea de Santos e alguns dos maiores bairros da cidade.

Nas demais cidades da região também é possível cruzar placas que dão o nome de Vicente de Carvalho a ruas e avenidas.

Mas, afinal, quem foi o poeta do mar?

Vicente Augusto de Carvalho nasceu em Santos, em 5 de abril de 1866 e morreu em 22 de abril de 1924. Poeta, apaixonado pelo mar, também acumulava os títulos de jornalista, advogado, político, fazendeiro, deputado, magistrado, contista e abolicionista.

Foi colaborador de jornais como A Tribuna e O Estado de São Paulo e fundou, em Santos, o Diário da Manhã. Sua obra de maior destaque na poesia foi Poemas e Canções, publicada em 1908, com prefácio de Euclides da Cunha e com 17 edições.

Devemos a ele, em partes, a existência dos jardins da orla e a possibilidade de usufruir da praia, pois, em 1921 denunciou, em carta aberta ao Presidente da República, apropriações ilegais neste trecho.

Diego Brígido

Editor da Revista Nove