Além do arco-íris

por Bruno Reis

Eu tenho festejado a falta de rotina faz pouco mais de um ano, ainda que sua ausência possa representar, igualmente, repetição.

Então, se a carência de algo implica, também, em sua existência, tristeza e felicidade seriam sinônimos? Mas não são antônimos? Pode até parecer confuso, mas, em essência, a dualidade é verídica e garante, inclusive, que sentidos de euforia e caos coexistam e sejam idealizados, experimentados e negados.

Isso parece explicar o porquê das experiências suicidas, que, em nome da dor de viver, abdica do prazer de permanecer vivo. Mas por que sentem o mal-estar? Provavelmente – e não cabe aqui uma resposta técnica – porque há tanta falta de propósito na vida que, simplesmente, morrer soa bem mais atrativo.

São fracos! Não! Só não gozam de sua plena energia, que impede que nos arremessemos do alto de uma escada com intenção. É o corpo e a mente nos protegendo. Mas com eles não é assim.

A introdução pode parecer inconveniente, mas é fatídica, assim como perduram sorrisos que, nem sempre, são de verdade, mas buscam ser e, ainda que possam sugerir jogo de encenação, estão tentando afastar-se do alto da escada.

Depressão é um mal do tempo que vivemos. Antes não era assim! Era, sim! Era? Acho que era. É que, não obstante as vidas contemporâneas turbulentas – que nos amedrontam e confundem, a gente se mostrava menos, afinal, o que os vizinhos iriam pensar? As fotos precisavam ser sorridentes, né? Ué?! Hoje também.

É melhor, então, gorfar a verdade triste em contraponto à cenográfica paz? Não e não. Por outro lado, definitivamente, a menos que se queira uma úlcera de respeito, buscar sorrir sempre é melhor do que chorar às vezes.

Remédio? Sim, de tarja preta, vermelha, verde, azul, amarela, um arco-iris chamado família e amigos de verdade. Terapia? Sim, senhor, também.

E assim encontrará, no pote, dias de paz, diversão, conforto de alma e trabalho, que, mais do que dignifique e pague contas, tenha propósito. E solitude, que não é nem prima distante da solidão, para que os momentos sós sejam carregados de energia e os divididos com os outros sejam igualmente e verdadeiramente transbordantes de emoção, ainda que silenciosos, de lacrimejar, de alegria.

Bruno Reis

Publicitário, bacharel em turismo, especialista em comunicação organizacional e relações públicas.