Comida e alma renovadas

Por Diego Brígido, editor da Revista Nove

Toda vez que um negócio fecha as portas por aqui eu sinto um nó na garganta, uma pontinha de tristeza.

E essa é, convenhamos, uma realidade constante e avassaladora, sobretudo nos áridos dias atuais, que, claro, também têm acometido a nossa Baixada Santista.

Mas esse texto não é sobre tristeza, ao contrário, é sobre a alegria que me preenche a cada vez que um novo empreendimento surge, ou ainda, a cada vez que um já existente resolve se renovar.

Um novo restaurante, um novo bar (ou todos esses novos conceitos: dining club, restobar, brew pub), aguçam a nossa vontade de sair por aí, num pub craw, noite adentro, além trazer um quinhão de esperança à economia local.

Mas quando uma casa já consolidada resolve se renovar, não sei vocês, mas eu fico ainda mais entusiasmado. Principalmente quando se trata de um restaurante desses que já eram nossos queridinhos.

O ELO Gastronomia, uma das referências na alta gastronomia santista, faz isso a cada ano, quando propõe boas intervenções no menu já bastante criativo e autoral, elaborado pelo chef-doutor (ou doutor-chef) Eduardo Lascane.

Dessa vez, no entanto, ousaram (ele e os sócios Guilherme Nunes, Luís Floriano e Lilian Alvarez ) ainda mais. Na última terça, estive mais uma vez, com um grupo de colegas jornalistas, a convite da competente Tatiana Lopes, assessora de imprensa, no ELO, para conhecer as ousadias, que dessa vez foram além do cardápio.

O restaurante ganhou uma nova decoração, que o deixou ainda mais aconchegante (e já era muito), moderno e sofisticado. Um dos salões, onde nós comemos, inclusive, agora exibe uma parede com imagens inspirados na culinária da casa. Outro, o Salão dos Apaixonados, está apaixonante, com luminárias feitas de corda e lâmpadas retrô. Tem mais mudanças nos outros espaços que certamente vão agradar os habitués.

No menu, ficou difícil eleger a novidade preferida, entre as 12 servidas. Mas, muitos aplausos para o o ceviche de frutos do mar, com camarão, lula e polvo, que leva cebola roxa finamente picada, um toque de coentro e limão, que foi uma das opções de entrada.

Entre as massas (e vale dizer que elas não estão entre os meus pratos preferidos), um delicioso raviolone mezzaluna de camarão com catupiry, servido com molho de tomate puxado no caldo de camarão.

Mas o coração bateu forte mesmo por duas das novidades: a pesca do dia com risoto de tomates assados e alho poró, acompanhado de coalhada e a super original versão da casa do Filet Wellington, um tornedo de filet mignon grelhado, pincelado com mostarda dijon e coberto com cogumelos puxados com cebola, uma fatia super crocante de presunto parma e um ‘pastelzinho’ de massa folhada. Esse último foi pura maldade.

Não sou um grande apreciador de doces, mas o mil folhas de cupuaçu me fez repensar meu paladar e uma sobremesa chamada ‘Tudo Abóbora’ me trouxe um delicioso gosto de saudosismo.

Essa segunda se trata de um fofíssimo bolo de abóbora servido com doce de abóbora – que me remete à infância e tem gostinho de vó, comfort food, sabe? – e sorvete de abóbora com coco, decorado com pralinê de semente de abóbora e doce de abóbora cremoso.

Eu acho que meninos e meninas deveriam usar abóbora!

O atendimento por lá continua acolhedor e, claro, os bons vinhos e as boas companhias tornam a experiência ainda melhor.

 

Vida longa às reinvenções.

Vida longa ao novo cenário gastronômico santista.

Diego Brígido

Editor da Revista Nove