Se joga

Por Diego Brígido

Um silêncio ensurdecedor preencheu minha cabeça no dia 20 de dezembro de 2015, próximo das 18h30, quando eu deixei sobre a cadeira do escritório minhas vestes de funcionário exemplar e não voltei mais para buscar. Dali, eu parti para a aventura mais insana, insegura e deliciosa da minha vida.

Eu ainda não sabia, mas pouco mais de um ano depois, vim descobrir que essa maluquice se chamava empreendedorismo. Quando eu decidi engavetar a carteira de trabalho, eu tinha um projeto num pen drive e o sonho que hibernava há anos de ser editor de uma revista, da minha revista.

Mas, na faculdade, naquela época (lá se vão quase 20 anos), ninguém tinha me contado sobre isso de ser empreendedor. Muito menos sobre empreender em jornalismo. Que bom, sabe, porque se tivessem contado como seria, a essa hora talvez eu estivesse na mesma cadeira, com as vestes de funcionário exemplar amarrotadas. E frustrado!

De lá pra cá, são pouco mais de três anos vivendo o dilema ‘cadê o salário na minha conta X que bom poder fazer o que me dá prazer’. Eu fui para a selva completamente nu, essa é a sensação que tenho, desde que comecei, em janeiro de 2016, a percorrer o mercado com um Ipad na mão e um certificado de bom profissional no histórico.

Isso não me garantiria muita coisa – e não garantiu, claro. E eu nem me acho um empreendedor nato (Maristela Low, minha coach, que assina um artigo nessa edição, que não leia essa declaração). Acho que estou longe de ser e também, de verdade, não sei se gosto do título. Mas, se um bom projeto e um bom currículo não me garantiriam a sobrevivência, como conseguir me manter num mercado editorial que agoniza?

Seduzindo anunciantes, claro! (rs) Brincadeiras à parte – e esse texto não é para explicar como manter uma revista impressa viva, porque eu ainda estou tentando descobrir, mas para encorajar qualquer um que queira largar o crachá na gaveta – saia do lugar comum! Sim, a Revista Nove só chegou aqui, nessa edição linda, gorda, exibida e comemorativa, porque nasceu para ser diferente, única. E é!

E os mercados – todos eles – carecem de ideias diferentes e, acima de tudo, bem executadas. A constatação é muito mais alarmante quando falamos do segmento de publicações impressas.

Se você vai precisar de coragem para largar a vida de CLT, vai precisar de muito mais para peitar todo mundo e mostrar o quão fod* é o seu projeto. Mas, para isso, ele precisa ser fod* mesmo. Ah, vai precisar de bons parceiros também e terá que abrir mão de algumas viagens, bons vinhos e tênis novos no começo. O sexo dá pra manter. Veja, não estamos falando sobre ganhar dinheiro, isso é uma outra etapa, ok? Aí você terá que descobrir. Se joga!

Diego Brígido

Editor da Revista Nove