Ilha Diana: um cantinho que ainda guarda as delícias da cultura caiçara

Fotos: Christian Jauch

Ela está oficialmente em Santos, mas divide vizinhança com Guarujá e Bertioga.

Você até já pode ter escutado falar da Ilha Diana, mas já foi até lá? Sabia que é um baita passeio? Assumo, sou uma dessas pessoas que já tinham escutado falar, mas nunca tinham ido lá conhecer tudo de pertinho. E que bom que isso aconteceu agora e vou contar minha impressão pra você.

O nome feminino tem propósito, pois ela carrega grandeza e persistência em se fazer presente, e ter destaque no imenso leque de belezas do litoral paulista. Daqui a pouco falo mais sobre o nome da Ilha, agora é hora de zarpar.

Eu e mais um grupo de pessoas nos dirigimos até a central de barcas da Dersa, atrás da Alfândega, no centro de Santos, e fomos recepcionados pelas guias Patrícia e Ângela, do projeto de educação ambiental e Turismo de Base Comunitária, “Vida Caiçara”.

Elas nos levaram até a Ilha Diana, onde moram 60 famílias, cerca de 260 pessoas, muitas delas descendentes dos primeiros moradores que fundaram o lugar, em 1940, depois da remoção das famílias que residiam na área onde foi construída a Base Aérea de Santos, em Guarujá.

No trajeto, as guias nos mostraram as características da geografia local com riquezas de detalhes. Ah, e para minha surpresa, na Ilha Diana dá para apreciar o voo dos guarás e também de colhereiros e garças, sem contar as outras espécies de animais, como mamíferos, e aqueles que vivem nas ricas áreas de manguezais.

Um rolê pela ilha

Chegamos à ilha para um café da manhã delícia. Barriga cheia, curiosidade aguçada, e seguimos caminhando pela região. A cada casa, a cada espaço, a cada viela aberta, uma descoberta. Pelo caminho, todo o cuidado era pouco já que dividíamos o chão com minúsculos e simpáticos caranguejos.

Conhecemos o trabalho desenvolvido pela DP World na conscientização ambiental da Ilha Diana, que originou a criação do projeto Vida Caiçara, hoje próximo da autossustentabilidade. E foi nessa caminhada, analisando a dança dos caranguejinhos, que conheci o ‘prefeito da Ilha’, como se autointitula o Seo Adriano.

Adriano da Silva Alves tem 50 anos de Ilha Diana. Chegou jovem, causando uma revolução no lugar. “Era só mangue, tudo encharcado, tive que mudar as coisas pra viver. Peguei na enxada e nunca mais larguei, menina. Esse lugar aqui ó fui eu que fiz, com a ajuda de algumas pessoas daqui, mas fui eu que fiz! Pois é, por isso que eu sou o prefeito daqui, cuido de tudo.”, me explicou todo orgulhoso, apontando para a Praça das Palmeiras. O zelo dele pela ilha não é segredo, e por isso ele faz questão de ter tarefas exclusivas, como acender diariamente, às seis da tarde, a luz da charmosa igreja local.

E por falar em igreja, que coisa linda que é a igreja de Bom Jesus da Ilha Diana. Acolhedora, rústica, acabou de ser reformada. Em agosto acontece a Festa do Bom Jesus da Ilha Diana, com a missa campal e uma programação com muita música, artesanato e comida típica caiçara, quando a Ilha lota de visitantes e convidados.

Comer por lá

Imperdível também é o almoço na Ilha. Eu comi, repeti e repetiria de novo, não fosse falta de educação. Sabe comida caseira raiz? Então, a turma do Vida Caiçara arrasou no cardápio.

A pesca já não é mais a subsistência de quem mora na Ilha Diana, mas ainda é o diferencial que alimenta a tradição e a qualidade de vida. Nesse almoço, o peixe foi pescado horas antes. Tem noção de quanto isso é especial e personalizado? Na mesa, além das saladas, arroz, feijão, o peixe fresquinho nas versões frito e ensopado, molho de camarão, pirão e um prato que teve destaque no meu estômago e no meu coração: polenta com marisco. Vocês não acreditam o poder que tem esse prato na memória de uma pessoa.

O passeio continuou na água. Entramos num barco e seguimos pelo mangue que envolve a Ilha. Sentido Canal de Bertioga, percebemos a amplitude e a necessidade de se manter vivo esse ecossistema tão importante.

E foi nesse segundo trajeto de barco que descobri a origem do nome da Ilha, pelo menos a versão que a maioria dos moradores acredita. “Dizem que uma índia chamada Diana morava na Ilha e quando mergulhava na água, virava sereia. A gente acreditou nessa história, e por isso ficou Rio Diana, e Ilha Diana.”, conta a guia Patrícia, nos deixando com a imaginação aberta pra entender essa história.

Visite!

Visite!

Combine com a família, com os amigos, com a escola também, e siga rumo a um lugar rico em tradição e pessoas hospitaleiras. O projeto Vida Caiçara é o grande anfitrião disso tudo. Há diversos tipos de passeio, com diferentes tempos de duração e abordagem, enfim, liga lá e depois vem me contar a tua impressão.

Para agendar a visita, entre em contato pelo telefone (13) 99741.8690

Mais do nosso passeio pela Ilha Diana

Fabiana Oliveira

Editora da Revista Nove

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